{"id":761,"date":"2015-12-22T15:19:10","date_gmt":"2015-12-22T15:19:10","guid":{"rendered":"http:\/\/mapati.com.br\/blog\/?p=761"},"modified":"2015-12-22T15:19:10","modified_gmt":"2015-12-22T15:19:10","slug":"o-perfume-iv","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/mapati.com.br\/blogmapati\/o-perfume-iv\/","title":{"rendered":"O perfume (IV)"},"content":{"rendered":"<p>Sejamos bipolares. Enfrentemos sem protela\u00e7\u00f5es o lado ruim do perfume (ou de &#8220;O Perfume&#8221;), \u00e9 mergulho de nariz na lama. N\u00e3o sei se iremos aguentar.<\/p>\n<figure id=\"attachment_762\" aria-describedby=\"caption-attachment-762\" style=\"width: 663px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"http:\/\/2017.mapati.com.br\/wp-content\/uploads\/2015\/12\/perfume.jpg\" rel=\"attachment wp-att-762\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-762\" src=\"http:\/\/2017.mapati.com.br\/wp-content\/uploads\/2015\/12\/perfume.jpg\" alt=\"http:\/\/2.bp.blogspot.com\/-SPQFOpBXyiY\/UISM8S7Yh7I\/AAAAAAAABDs\/fmO13aDO4yQ\/s1600\/perfume_cena_1.jpg\" width=\"663\" height=\"368\" srcset=\"https:\/\/mapati.com.br\/blogmapati\/wp-content\/uploads\/2015\/12\/perfume.jpg 663w, https:\/\/mapati.com.br\/blogmapati\/wp-content\/uploads\/2015\/12\/perfume-300x167.jpg 300w, https:\/\/mapati.com.br\/blogmapati\/wp-content\/uploads\/2015\/12\/perfume-200x111.jpg 200w, https:\/\/mapati.com.br\/blogmapati\/wp-content\/uploads\/2015\/12\/perfume-400x222.jpg 400w, https:\/\/mapati.com.br\/blogmapati\/wp-content\/uploads\/2015\/12\/perfume-600x333.jpg 600w\" sizes=\"(max-width: 663px) 100vw, 663px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-762\" class=\"wp-caption-text\"><span style=\"font-size: 8pt;\">http:\/\/2.bp.blogspot.com\/-SPQFOpBXyiY\/UISM8S7Yh7I\/AAAAAAAABDs\/fmO13aDO4yQ\/s1600\/perfume_cena_1.jpg<\/span><\/figcaption><\/figure>\n<p>Na \u00e9poca de que falamos, reinava nas cidades um fedor dificilmente conceb\u00edvel por n\u00f3s, hoje. As ruas fediam a merda, os p\u00e1tios fediam a mijo, as escadarias fediam a madeira podre e bosta de rato; as cozinhas, a couve estragada e gordura de ovelha; sem ventila\u00e7\u00e3o, salas fediam a poeira, mofo; os quartos, a len\u00e7\u00f3is sebosos, a \u00famidos colch\u00f5es de pena, impregnados do odor azedo dos penicos. Das chamin\u00e9s fedia o enxofre, dos curtumes, as lix\u00edvias corrosivas; dos matadouros, fedia o sangue coagulado. Os homens fediam a suor e a roupas n\u00e3o lavadas; da boca eles fediam a dentes estragados, dos est\u00f4magos fediam a cebola e, nos corpos, quando j\u00e1 n\u00e3o eram mais bem novos, a queijo velho, a leite azedo e a doen\u00e7as infecciosas. Fediam os rios, fediam as pra\u00e7as, fediam as igrejas, fedia sob as pontes e dentro dos pal\u00e1cios. Fediam o campon\u00eas e o padre, o aprendiz e a mulher do mestre, fedia a nobreza toda, at\u00e9 o rei fedia como um animal de rapina, e a rainha como uma cabra velha, tanto no ver\u00e3o quanto no inverno. (&#8230;) e, assim, n\u00e3o havia atividade humana, construtiva ou destrutiva, manifesta\u00e7\u00e3o alguma da vida, a vicejar ou a fenecer, que n\u00e3o fosse acompanhada de fedor (&#8230;).&#8221;<\/p>\n<p>Vamos ent\u00e3o contar a instigante hist\u00f3ria. Todavia, uma vez incontest\u00e1vel que sou falido de estofo intelectual e liter\u00e1rio para resenhar o livro em tela (sem trocadilho), pedirei ajuda aos universit\u00e1rios &#8211; como antigamente se dizia no programa do SS.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: right;\">25 de junho de 2014<\/p>\n<p style=\"text-align: right;\">(071)<\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><span style=\"color: #0000ff;\">mmsmarcos1953@hotmail.com<\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Sejamos bipolares. 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Fediam os rios, fediam as pra\u00e7as, fediam as igrejas, fedia sob as pontes e dentro dos pal\u00e1cios. Fediam o campon\u00eas e o padre, o aprendiz e a mulher do mestre, fedia a nobreza toda, at\u00e9 o rei fedia como um animal de rapina, e a rainha como uma cabra velha, tanto no ver\u00e3o quanto no inverno. (&#8230;) e, assim, n\u00e3o havia atividade humana, construtiva ou destrutiva, manifesta\u00e7\u00e3o alguma da vida, a vicejar ou a fenecer, que n\u00e3o fosse acompanhada de fedor (&#8230;).&#8221; Vamos ent\u00e3o contar a instigante hist\u00f3ria. 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