{"id":86,"date":"2015-12-18T15:47:20","date_gmt":"2015-12-18T15:47:20","guid":{"rendered":"http:\/\/mapati.com.br\/blog\/?p=86"},"modified":"2015-12-18T15:47:20","modified_gmt":"2015-12-18T15:47:20","slug":"nao-me-abandonem","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/mapati.com.br\/blogmapati\/nao-me-abandonem\/","title":{"rendered":"N\u00e3o me abandonem"},"content":{"rendered":"<p>H\u00e1 um ano, mais exatamente em 9 de novembro de 2012, enviei<br \/>\na mensagem eletr\u00f4nica (abaixo) para as pessoas cujos nomes est\u00e3o nela dispostos; em realidade, a Gleice n\u00e3o foi destinat\u00e1ria, podendo agora, juntamente com os poucos que me leem, conhecer o registro, muito importante para mim.<\/p>\n<p>De l\u00e1 pra c\u00e1, muita coisa aconteceu no Mapati, predominantemente naquela toada.<\/p>\n<p>Contarei em breve alguns epis\u00f3dios do Canad\u00e1 e de Angola.<\/p>\n<p style=\"padding-left: 120px;\"><span style=\"font-family: 'trebuchet ms', geneva, sans-serif;\"><em>&#8220;A esta altura, Mariana est\u00e1 em S\u00e3o Paulo, Patricia j\u00e1 chegou<br \/>\n<\/em><\/span><span style=\"font-family: 'trebuchet ms', geneva, sans-serif;\"><em>a Macei\u00f3 e voc\u00eas tr\u00eas ainda se encontram em Luanda. Eu, por minha vez, trabalho intensamente aqui em casa desde quarta-feira, padecendo de atrozes dores<br \/>\nna coluna, cuja lombar tem sido atingida por sistem\u00e1ticos choques que fazem o Sandy como que parecer coisa<br \/>\nde crian\u00e7a; e tome anti-inflamat\u00f3rio, que \u00e9 amigo para curar e inimigo para provocar os chamados efeitos colaterais. Vim h\u00e1 pouco tempo do teatro, rendendo a Gleice na az\u00e1fama<br \/>\ndo aux\u00edlio \u00e0 montagem do espet\u00e1culo de dan\u00e7a. Aquelas coisas: primeiro, toca o sino quem vai conceber<br \/>\na ilumina\u00e7\u00e3o; em seguida, uma das dan\u00e7arinas sobe a rampa acompanhada do rapaz que ir\u00e1 operar a luz. A outra viria logo, logo. Antes de essa equipe adentrar o Mapati, muitos pensamentos ocuparam minha mente. Sozinho naquele espa\u00e7o grande &#8211; tantas vezes grandioso -, tomado por uma melancolia daquelas de arrasar multid\u00f5es, firmei entendimento de que, diretamente ou n\u00e3o, o teatro para mim \u00e9 imprescind\u00edvel,<br \/>\n\u00e9 \u201cinfech\u00e1vel\u201d. Mesmo com alguns aspectos de vis\u00edvel decad\u00eancia (cadeiras girat\u00f3rias herdadas j\u00e1 com seus furos<br \/>\ne falta de parafusos; arm\u00e1rios tronchos, cozinha industrial misturada com \u00e1rea de servi\u00e7o algo ca\u00f3tica<br \/>\ne um pouco feia; \u00faltimas melhorias encobertas pela certa bagun\u00e7a est\u00e9tica espalhada pelos tr\u00eas andares), sinto-me entranhado no Mapati irreversivelmente, inexoravelmente.<br \/>\nA recorda\u00e7\u00e3o de tudo o que nesses mais de 21 anos acontecera de bom e de ruim ali \u00e9 uma chicotada nas minhas costas suportadas pela claudicante coluna. A entrada<br \/>\ne a sa\u00edda de tantos colaboradores e tantas colaboradoras nessas duas d\u00e9cadas atestam que o espa\u00e7o n\u00e3o descansou, n\u00e3o teve tr\u00e9gua, precisou ser ele todo alagado do baixo ventre at\u00e9 os p\u00e9s para que as atividades art\u00edsticas se interrompessem por um (curto) per\u00edodo. N\u00e3o quero dizer que, tradicionalmente, tudo se deu de forma ininterrupta<br \/>\ne fren\u00e9tica. Mas, gente, embora me afastando desse exemplo do dil\u00favio caesbeniano, ouso afirmar que rolaram muitas \u00e1guas l\u00edmpidas, cristalinas, ora geladas, ora t\u00e9pidas, ora ferventes. Pe\u00e7as, dan\u00e7as, performances, shows de com\u00e9dia, espet\u00e1culos musicais, col\u00f4nias de f\u00e9rias, anivers\u00e1rios, happy isso-happy aquilo, festas-fam\u00edlia e outras nem tanto, atividades circenses, aulas de artes c\u00eanicas, projetos, exposi\u00e7\u00e3o de fotografias, feira de livros&#8230; Meu Deus! Foi muita efem\u00e9ride. E neste destampat\u00f3rio n\u00e3o vou referir<br \/>\n\u00e0s centenas de trabalhos externos que realizamos em Bras\u00edlia e nas in\u00fameras cidades brasileiras, no Canad\u00e1 e presentemente em Angola. Da\u00ed minha tentativa de resgatar nossa hist\u00f3ria mediante envio daquelas mensagens eletr\u00f4nicas (as quais ser\u00e3o retomadas t\u00e3o logo se encerre essa jornada em \u00c1frica). Voltando \u00e0s minhas amarguras,<br \/>\n\u00e9 muito dif\u00edcil para mim entrar naquela casa 5,<br \/>\nnaquele n\u00ba 5, naquele antigo mas vivo centro cultural e n\u00e3o ver a Tereza dando aula e de igual sorte notar que o Jeff est\u00e1 fora no parque ou em algum m\u00e9dico e que a Dayse ainda n\u00e3o chegou do Minc. Esse trio, como eu e todo mundo,<br \/>\n\u00e9 dado a achaques, a chiliques, a destemperan\u00e7as, a bruscas altera\u00e7\u00f5es de humor. Mas \u00e9 essa turma insistente que mant\u00e9m a coisa de p\u00e9, que n\u00e3o deixa o Mapati fenecer,<br \/>\nque, erraticamente ou n\u00e3o, busca aprova\u00e7\u00e3o de projetos,<br \/>\nde apoios, de patroc\u00ednios, de clientes, de alunos. Patricia<br \/>\ne Mariana, de uma maneira ou de outra, tamb\u00e9m reingressar\u00e3o em nosso teatro, podem crer. A mais nova abrindo, quem sabe, uma sucursal em Sampa; a mais velha, prestando\u00a0a sempre necess\u00e1ria assist\u00eancia jur\u00eddica\u00a0e me aguentando para que eu continue a ter for\u00e7as e sa\u00fade para poder participar dessa renova\u00e7\u00e3o que, tenho certeza, logo vir\u00e1. N\u00e3o me abandonem. Marcos&#8221;\u00a0\u00a0<\/em><\/span><\/p>\n<p><em>\u00a0<\/em><\/p>\n<p style=\"padding-left: 90px; text-align: right;\">07 de novembro de 2013<\/p>\n<p style=\"padding-left: 90px; text-align: right;\">(020)<\/p>\n<p style=\"padding-left: 90px; text-align: right;\"><span style=\"color: #0000ff;\"><a style=\"color: #0000ff;\" href=\"mailto:mmsmarcos1953@hotmail.com\">mmsmarcos1953@hotmail.com<\/a><\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>H\u00e1 um ano, mais exatamente em 9 de novembro de 2012, enviei a mensagem eletr\u00f4nica (abaixo) para as pessoas cujos nomes est\u00e3o nela dispostos; em realidade, a Gleice n\u00e3o foi destinat\u00e1ria, podendo agora, juntamente com os poucos que me leem, conhecer o registro, muito importante para mim. De l\u00e1 pra c\u00e1, muita coisa aconteceu no Mapati, predominantemente naquela toada. Contarei em breve alguns epis\u00f3dios do Canad\u00e1 e de Angola. &#8220;A esta altura, Mariana est\u00e1 em S\u00e3o Paulo, Patricia j\u00e1 chegou a Macei\u00f3 e voc\u00eas tr\u00eas ainda se encontram em Luanda. Eu, por minha vez, trabalho intensamente aqui em casa desde quarta-feira, padecendo de atrozes dores na coluna, cuja lombar tem sido atingida por sistem\u00e1ticos choques que fazem o Sandy como que parecer coisa de crian\u00e7a; e tome anti-inflamat\u00f3rio, que \u00e9 amigo para curar e inimigo para provocar os chamados efeitos colaterais. Vim h\u00e1 pouco tempo do teatro, rendendo a Gleice na az\u00e1fama do aux\u00edlio \u00e0 montagem do espet\u00e1culo de dan\u00e7a. Aquelas coisas: primeiro, toca o sino quem vai conceber a ilumina\u00e7\u00e3o; em seguida, uma das dan\u00e7arinas sobe a rampa acompanhada do rapaz que ir\u00e1 operar a luz. A outra viria logo, logo. Antes de essa equipe adentrar o Mapati, muitos pensamentos ocuparam minha mente. Sozinho naquele espa\u00e7o grande &#8211; tantas vezes grandioso -, tomado por uma melancolia daquelas de arrasar multid\u00f5es, firmei entendimento de que, diretamente ou n\u00e3o, o teatro para mim \u00e9 imprescind\u00edvel, \u00e9 \u201cinfech\u00e1vel\u201d. Mesmo com alguns aspectos de vis\u00edvel decad\u00eancia (cadeiras girat\u00f3rias herdadas j\u00e1 com seus furos e falta de parafusos; arm\u00e1rios tronchos, cozinha industrial misturada com \u00e1rea de servi\u00e7o algo ca\u00f3tica e um pouco feia; \u00faltimas melhorias encobertas pela certa bagun\u00e7a est\u00e9tica espalhada pelos tr\u00eas andares), sinto-me entranhado no Mapati irreversivelmente, inexoravelmente. A recorda\u00e7\u00e3o de tudo o que nesses mais de 21 anos acontecera de bom e de ruim ali \u00e9 uma chicotada nas minhas costas suportadas pela claudicante coluna. A entrada e a sa\u00edda de tantos colaboradores e tantas colaboradoras nessas duas d\u00e9cadas atestam que o espa\u00e7o n\u00e3o descansou, n\u00e3o teve tr\u00e9gua, precisou ser ele todo alagado do baixo ventre at\u00e9 os p\u00e9s para que as atividades art\u00edsticas se interrompessem por um (curto) per\u00edodo. N\u00e3o quero dizer que, tradicionalmente, tudo se deu de forma ininterrupta e fren\u00e9tica. Mas, gente, embora me afastando desse exemplo do dil\u00favio caesbeniano, ouso afirmar que rolaram muitas \u00e1guas l\u00edmpidas, cristalinas, ora geladas, ora t\u00e9pidas, ora ferventes. Pe\u00e7as, dan\u00e7as, performances, shows de com\u00e9dia, espet\u00e1culos musicais, col\u00f4nias de f\u00e9rias, anivers\u00e1rios, happy isso-happy aquilo, festas-fam\u00edlia e outras nem tanto, atividades circenses, aulas de artes c\u00eanicas, projetos, exposi\u00e7\u00e3o de fotografias, feira de livros&#8230; Meu Deus! Foi muita efem\u00e9ride. E neste destampat\u00f3rio n\u00e3o vou referir \u00e0s centenas de trabalhos externos que realizamos em Bras\u00edlia e nas in\u00fameras cidades brasileiras, no Canad\u00e1 e presentemente em Angola. Da\u00ed minha tentativa de resgatar nossa hist\u00f3ria mediante envio daquelas mensagens eletr\u00f4nicas (as quais ser\u00e3o retomadas t\u00e3o logo se encerre essa jornada em \u00c1frica). Voltando \u00e0s minhas amarguras, \u00e9 muito dif\u00edcil para mim entrar naquela casa 5, naquele n\u00ba 5, naquele antigo mas vivo centro cultural e n\u00e3o ver a Tereza dando aula e de igual sorte notar que o Jeff est\u00e1 fora no parque ou em algum m\u00e9dico e que a Dayse ainda n\u00e3o chegou do Minc. Esse trio, como eu e todo mundo, \u00e9 dado a achaques, a chiliques, a destemperan\u00e7as, a bruscas altera\u00e7\u00f5es de humor. Mas \u00e9 essa turma insistente que mant\u00e9m a coisa de p\u00e9, que n\u00e3o deixa o Mapati fenecer, que, erraticamente ou n\u00e3o, busca aprova\u00e7\u00e3o de projetos, de apoios, de patroc\u00ednios, de clientes, de alunos. Patricia e Mariana, de uma maneira ou de outra, tamb\u00e9m reingressar\u00e3o em nosso teatro, podem crer. A mais nova abrindo, quem sabe, uma sucursal em Sampa; a mais velha, prestando\u00a0a sempre necess\u00e1ria assist\u00eancia jur\u00eddica\u00a0e me aguentando para que eu continue a ter for\u00e7as e sa\u00fade para poder participar dessa renova\u00e7\u00e3o que, tenho certeza, logo vir\u00e1. N\u00e3o me abandonem. 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