{"id":895,"date":"2015-12-25T04:17:15","date_gmt":"2015-12-25T04:17:15","guid":{"rendered":"http:\/\/mapati.com.br\/blog\/?p=895"},"modified":"2015-12-25T04:17:15","modified_gmt":"2015-12-25T04:17:15","slug":"mamy-ii","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/mapati.com.br\/blogmapati\/mamy-ii\/","title":{"rendered":"Mamy (II)"},"content":{"rendered":"<figure id=\"attachment_969\" aria-describedby=\"caption-attachment-969\" style=\"width: 793px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"http:\/\/2017.mapati.com.br\/wp-content\/uploads\/2015\/12\/calcadao.jpg\" rel=\"attachment wp-att-969\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-969\" src=\"http:\/\/2017.mapati.com.br\/wp-content\/uploads\/2015\/12\/calcadao.jpg\" alt=\"https:\/\/www.pinterest.com\/pin\/380906080958236979\/\" width=\"793\" height=\"480\" srcset=\"https:\/\/mapati.com.br\/blogmapati\/wp-content\/uploads\/2015\/12\/calcadao.jpg 793w, https:\/\/mapati.com.br\/blogmapati\/wp-content\/uploads\/2015\/12\/calcadao-300x182.jpg 300w, https:\/\/mapati.com.br\/blogmapati\/wp-content\/uploads\/2015\/12\/calcadao-768x465.jpg 768w, https:\/\/mapati.com.br\/blogmapati\/wp-content\/uploads\/2015\/12\/calcadao-200x121.jpg 200w, https:\/\/mapati.com.br\/blogmapati\/wp-content\/uploads\/2015\/12\/calcadao-400x242.jpg 400w, https:\/\/mapati.com.br\/blogmapati\/wp-content\/uploads\/2015\/12\/calcadao-600x363.jpg 600w\" sizes=\"(max-width: 793px) 100vw, 793px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-969\" class=\"wp-caption-text\"><span style=\"font-size: 8pt;\">https:\/\/www.pinterest.com\/pin\/380906080958236979\/<\/span><\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"padding-left: 90px;\"><span style=\"font-family: 'trebuchet ms', geneva, sans-serif;\"><em> &#8220;E neste momento em que te relato tudo isso aqui do Rio sobre esta cama que n\u00e3o te espera, embora te queira. E lembro dos versos do grande Drummond que traduz bem o jeito em que eu me encontrava naqueles dias em Bras\u00edlia, esta cidade que \u00e9 luz, arte e pol\u00edtica e tu me fizeste sentir: <\/em>\u00a0A alma cativa e obcecada enrola-se infinitamente numa espiral de desejos e melancolias<em>. (C. D. de Andrade)<\/em><\/span><\/p>\n<p style=\"padding-left: 90px;\"><span style=\"font-family: 'trebuchet ms', geneva, sans-serif;\"><em>&#8220;Eu sabia o que me levava ao Distrito Federal. Objetivamente, era a pol\u00edtica sindical, o encontro nacional de v\u00e1rios estados. Estava tranquila quanto a isso. Firme nas id\u00e9ias, nas discuss\u00f5es pol\u00edticas, embora buscasse o consenso t\u00e3o necess\u00e1rio entre as for\u00e7as do movimento sindical, bem como estava claro a necessidade de uma sa\u00edda para a crise brasileira, a crise do estado e do poder p\u00fablico que nos atinge com campanha de desmoraliza\u00e7\u00e3o do servi\u00e7o p\u00fablico, etc. Buscava esse consenso nas discuss\u00f5es pol\u00eamicas, conflitantes, mas por dentro estava t\u00e3o paradoxal, por dentro era outro tempo ao qual me transportara, o tempo das emo\u00e7\u00f5es, do sonho, do passado, de uma mistura de vida e de morte, de recupera\u00e7\u00e3o, de nega\u00e7\u00e3o e afirma\u00e7\u00e3o de mim, de ti, do futuro, da juventude e da maturidade que em mim vai e vem, toda emo\u00e7\u00e3o poss\u00edvel bombardeava-me a alma, sacudia-me e j\u00e1 n\u00e3o era apenas a (My&#8230;) pol\u00edtica que l\u00e1 se encontrava, havia a outra (My&#8230;) menina, apaixonada, t\u00e3o particular, subjetiva, desapontada, at\u00f4nita, fr\u00e1gil, mas t\u00e3o certa de seus afetos como prop\u00f3sitos que uma n\u00e3o se confundia com a outra e, portanto, puderam repartir suas m\u00e1goas e alegrias de viver e puderam se encontrar e dar as m\u00e3os. Uma com seu discurso para o coletivo, o p\u00fablico, outra com o seu discurso privado, interiorizado, sexualizado, querendo amar de novo, querendo reencontr\u00e1-lo, o que s\u00f3 foi poss\u00edvel simbolicamente.<\/em><\/span><\/p>\n<p style=\"padding-left: 90px;\"><span style=\"font-family: 'trebuchet ms', geneva, sans-serif;\"><em>&#8220;Ent\u00e3o, voltei para a minha hospedagem, na W3 Sul com uma colega do TST de Bras\u00edlia que gentilmente se oferecera para me levar at\u00e9 \u00e0 casa de D. Maria Miranda. Cheguei no quarto. Estiquei-me sobre a cama e o sil\u00eancio era total. Comecei a ouvir a chuva cair torrencialmente. Pensei em voc\u00ea. Sonhei com voc\u00ea e dormi.<\/em><em>\u00a0<\/em><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><span style=\"font-family: 'trebuchet ms', geneva, sans-serif;\"><em>&#8220;Beijos de (My&#8230;)<\/em><\/span><\/p>\n<p style=\"padding-left: 120px;\"><span style=\"font-family: 'trebuchet ms', geneva, sans-serif;\"><em>&#8220;PS: n\u00e3o ia mandar mais esta carta que escrevi logo qdo cheguei ao Rio ainda sob o efeito m\u00e1gico que Bras\u00edlia me deu. Voc\u00ea estava ausente, t\u00e3o longe que de repente julguei que voc\u00ea n\u00e3o ia entender todo esse sentimento. Fiquei insegura. Mas depois do seu telefonema ontem, achei que devia mesmo comunicar este invent\u00e1rio da minha alma contigo. Sei que n\u00e3o devo estimular em n\u00f3s &#8216;agita\u00e7\u00e3o emocional&#8217; mas somos adultos e c\u00famplices. E n\u00e3o somos pessoas t\u00e3o comuns assim. Sofremos de males semelhantes.<\/em><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: 'trebuchet ms', geneva, sans-serif;\"><em>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 (My&#8230;)\u00a0\u00a0 Rio 17\/12\/91<\/em><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: 'trebuchet ms', geneva, sans-serif;\"><em>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 \u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <u>Mamy<\/u>&#8220;<\/em><\/span><\/p>\n<p><em>\u00a0<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: right;\">10 de setembro de 2014<\/p>\n<p style=\"text-align: right;\">(092)<\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><span style=\"color: #0000ff;\"><a style=\"color: #0000ff;\" href=\"mailto:mmsmarcos1953@hotmail.com\">mmsmarcos1953@hotmail.com<\/a><\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&#8220;E neste momento em que te relato tudo isso aqui do Rio sobre esta cama que n\u00e3o te espera, embora te queira. E lembro dos versos do grande Drummond que traduz bem o jeito em que eu me encontrava naqueles dias em Bras\u00edlia, esta cidade que \u00e9 luz, arte e pol\u00edtica e tu me fizeste sentir: \u00a0A alma cativa e obcecada enrola-se infinitamente numa espiral de desejos e melancolias. (C. D. de Andrade) &#8220;Eu sabia o que me levava ao Distrito Federal. Objetivamente, era a pol\u00edtica sindical, o encontro nacional de v\u00e1rios estados. Estava tranquila quanto a isso. Firme nas id\u00e9ias, nas discuss\u00f5es pol\u00edticas, embora buscasse o consenso t\u00e3o necess\u00e1rio entre as for\u00e7as do movimento sindical, bem como estava claro a necessidade de uma sa\u00edda para a crise brasileira, a crise do estado e do poder p\u00fablico que nos atinge com campanha de desmoraliza\u00e7\u00e3o do servi\u00e7o p\u00fablico, etc. Buscava esse consenso nas discuss\u00f5es pol\u00eamicas, conflitantes, mas por dentro estava t\u00e3o paradoxal, por dentro era outro tempo ao qual me transportara, o tempo das emo\u00e7\u00f5es, do sonho, do passado, de uma mistura de vida e de morte, de recupera\u00e7\u00e3o, de nega\u00e7\u00e3o e afirma\u00e7\u00e3o de mim, de ti, do futuro, da juventude e da maturidade que em mim vai e vem, toda emo\u00e7\u00e3o poss\u00edvel bombardeava-me a alma, sacudia-me e j\u00e1 n\u00e3o era apenas a (My&#8230;) pol\u00edtica que l\u00e1 se encontrava, havia a outra (My&#8230;) menina, apaixonada, t\u00e3o particular, subjetiva, desapontada, at\u00f4nita, fr\u00e1gil, mas t\u00e3o certa de seus afetos como prop\u00f3sitos que uma n\u00e3o se confundia com a outra e, portanto, puderam repartir suas m\u00e1goas e alegrias de viver e puderam se encontrar e dar as m\u00e3os. Uma com seu discurso para o coletivo, o p\u00fablico, outra com o seu discurso privado, interiorizado, sexualizado, querendo amar de novo, querendo reencontr\u00e1-lo, o que s\u00f3 foi poss\u00edvel simbolicamente. &#8220;Ent\u00e3o, voltei para a minha hospedagem, na W3 Sul com uma colega do TST de Bras\u00edlia que gentilmente se oferecera para me levar at\u00e9 \u00e0 casa de D. Maria Miranda. Cheguei no quarto. Estiquei-me sobre a cama e o sil\u00eancio era total. Comecei a ouvir a chuva cair torrencialmente. Pensei em voc\u00ea. Sonhei com voc\u00ea e dormi.\u00a0 &#8220;Beijos de (My&#8230;) &#8220;PS: n\u00e3o ia mandar mais esta carta que escrevi logo qdo cheguei ao Rio ainda sob o efeito m\u00e1gico que Bras\u00edlia me deu. Voc\u00ea estava ausente, t\u00e3o longe que de repente julguei que voc\u00ea n\u00e3o ia entender todo esse sentimento. Fiquei insegura. Mas depois do seu telefonema ontem, achei que devia mesmo comunicar este invent\u00e1rio da minha alma contigo. Sei que n\u00e3o devo estimular em n\u00f3s &#8216;agita\u00e7\u00e3o emocional&#8217; mas somos adultos e c\u00famplices. E n\u00e3o somos pessoas t\u00e3o comuns assim. 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