{"id":911,"date":"2015-12-25T04:27:52","date_gmt":"2015-12-25T04:27:52","guid":{"rendered":"http:\/\/mapati.com.br\/blog\/?p=911"},"modified":"2015-12-25T04:27:52","modified_gmt":"2015-12-25T04:27:52","slug":"memoriasmemorialistas-xvii","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/mapati.com.br\/blogmapati\/memoriasmemorialistas-xvii\/","title":{"rendered":"Mem\u00f3rias\/Memorialistas (XVII)"},"content":{"rendered":"<p>Recebi de Edmundo de Paulo, meu amigo de Bacen, um <em>e-mail<\/em> \u00a0com o estranho assunto <em>Anosognosia<\/em>.\u00a0 \u00c9 um termo m\u00e9dico. Designa uma situa\u00e7\u00e3o neurol\u00f3gica (\u00e9 uma doen\u00e7a? tem <em>cid<\/em>?) em que, grosso modo e entre outros sintomas, n\u00e3o recordamos temporariamente de alguma coisa, pouco rara para quem tem mais de cinquenta anos (&#8220;o que \u00e9 que eu vim buscar aqui no quarto?&#8221;; &#8220;qual \u00e9 o nome mesmo daquela artista de cinema?&#8221;; &#8220;onde deixei meus \u00f3culos?&#8221;).<\/p>\n<p>Calculem ent\u00e3o as afli\u00e7\u00f5es vivenciadas (melhor verbo n\u00e3o existe) por todos os que nessa faixa et\u00e1ria se lan\u00e7am a revolver (uma arma?) o passado e, ainda, sem detrimento do apuro liter\u00e1rio. H\u00e1 que ter talento, muito talento.<\/p>\n<figure id=\"attachment_912\" aria-describedby=\"caption-attachment-912\" style=\"width: 359px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"http:\/\/2017.mapati.com.br\/wp-content\/uploads\/2015\/12\/MM17.jpg\" rel=\"attachment wp-att-912\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-912\" src=\"http:\/\/2017.mapati.com.br\/wp-content\/uploads\/2015\/12\/MM17.jpg\" alt=\"http:\/\/depsicologia.com\/wp-content\/uploads\/brain-puzzle.jpg\" width=\"359\" height=\"306\" srcset=\"https:\/\/mapati.com.br\/blogmapati\/wp-content\/uploads\/2015\/12\/MM17.jpg 417w, https:\/\/mapati.com.br\/blogmapati\/wp-content\/uploads\/2015\/12\/MM17-300x255.jpg 300w, https:\/\/mapati.com.br\/blogmapati\/wp-content\/uploads\/2015\/12\/MM17-200x170.jpg 200w, https:\/\/mapati.com.br\/blogmapati\/wp-content\/uploads\/2015\/12\/MM17-400x341.jpg 400w\" sizes=\"(max-width: 359px) 100vw, 359px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-912\" class=\"wp-caption-text\"><span style=\"font-size: 8pt;\">http:\/\/depsicologia.com\/wp-content\/uploads\/brain-puzzle.jpg<\/span><\/figcaption><\/figure>\n<p>Da boa, por\u00e9m dilacerante, brincadeira de esgaravatar fuligens pret\u00e9ritas, urdida h\u00e1 cerca de um ano neste t\u00f3pico (ser\u00e1 que algu\u00e9m l\u00ea?), participam o Afonso Arinos de Melo Franco, o Paulo Duarte e o Pedro Nava (sou presun\u00e7oso). Caf\u00e9 com leite, mais leite do que caf\u00e9, dois mineiros e um paulista. Pin\u00e7am-se trechos aleat\u00f3rios das recorda\u00e7\u00f5es do fant\u00e1stico trio e est\u00e1 tudo resolvido: o eventual leitor surta, delira, se extasia e sofre tamb\u00e9m. Nos \u00faltimos tempos, a via atrativa \u00e9 da biblioteca do g\u00eanio de Juiz de Fora que se abalou para o Rio de Janeiro com o fim programado de exercer, em muitos anos do S\u00e9culo XX, a medicina (n\u00e3o mercantilizada) nas ambul\u00e2ncias e nos hospitais da Cidade Maravilhosa, para sorte de seus pacientes.<\/p>\n<p>Voltemos, escondamo-nos dentro do ba\u00fa de ossos para continuar o mergulho no passado do Nava, no passado de todas as gentes, dos grandes escritores os quais ele homenageia e pede v\u00eania para ingresso no fil\u00e3o das recorda\u00e7\u00f5es sem saber (ou sabendo) que nos deixaria transidos e fissurados pela expectativa do nascimento dos volumes que se sucediam no prelo.<\/p>\n<p>A casa n\u00e3o \u00e9 a do Bicanca, a respeito do qual falamos l\u00e1 atr\u00e1s, em duas postagens. \u00c9 uma outra resid\u00eancia, mas desta feita pouco importam seus propriet\u00e1rios, seus moradores. O interesse \u00e9 pelas trapa\u00e7as da mente do ser humano, agravadas quando se \u00e9 &#8220;historiador&#8221;.<\/p>\n<p style=\"padding-left: 90px;\"><span style=\"font-family: 'trebuchet ms', geneva, sans-serif;\">&#8220;(&#8230;) Ent\u00e3o \u00e9 isto&#8230; Nela eu entro, na velha casa, como nela entrava nos jamais. Esse port\u00e3o de ferro prateado, eu o abro com as mesmas chaves da mem\u00f3ria que serviram ao nosso Machado, a G\u00e9rard de Nerval, a Chateaubriand, a Baudelaire, a Proust. Todo mundo tem sua <em>madeleine<\/em>, num cheiro, num gosto, numa cor, numa releitura &#8211; na minha vidra\u00e7a iluminada de repente! &#8211; e cada um foi um pouco furtado pelo <em>petit Marcel<\/em>\u00a0porque ele \u00e9 quem deu forma po\u00e9tica e decisiva e lancinante a esse sistema de recupera\u00e7\u00e3o do tempo. Essa retomada, a percep\u00e7\u00e3o desse processo de utiliza\u00e7\u00e3o da lembran\u00e7a (at\u00e9 ent\u00e3o inerte como a Bela Adormecida no Bosque do inconsciente) tem algo da viol\u00eancia e da subitaneidade de uma explos\u00e3o, mas \u00e9 justamente o seu contr\u00e1rio, porque concentra por precipita\u00e7\u00e3o e suscita crioscopicamente o passado dilu\u00eddo &#8211; doravante irresgat\u00e1vel e incorrupt\u00edvel. Cheiro de moringa nova, gosto de sua \u00e1gua, apito de f\u00e1brica cortando as madrugadas irremedi\u00e1veis&#8230;&#8221;<\/span><\/p>\n<p>Na sequ\u00eancia, para g\u00e1udio dos admiradores j\u00e1 ent\u00e3o hipnotizados, o memorialista do avental branco destrinchar\u00e1 mais intensamente o padecimento de quem se prop\u00f5e a lembrar&#8230; lembrar&#8230; e lembrar.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: right;\">28 de setembro de 2014<\/p>\n<p style=\"text-align: right;\">(096)<\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><span style=\"color: #0000ff;\"><a style=\"color: #0000ff;\" href=\"mailto:mmsmarcos1953@hotmail.com\">mmsmarcos1953@hotmail.com<\/a><\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Recebi de Edmundo de Paulo, meu amigo de Bacen, um e-mail \u00a0com o estranho assunto Anosognosia.\u00a0 \u00c9 um termo m\u00e9dico. Designa uma situa\u00e7\u00e3o neurol\u00f3gica (\u00e9 uma doen\u00e7a? tem cid?) em que, grosso modo e entre outros sintomas, n\u00e3o recordamos temporariamente de alguma coisa, pouco rara para quem tem mais de cinquenta anos (&#8220;o que \u00e9 que eu vim buscar aqui no quarto?&#8221;; &#8220;qual \u00e9 o nome mesmo daquela artista de cinema?&#8221;; &#8220;onde deixei meus \u00f3culos?&#8221;). Calculem ent\u00e3o as afli\u00e7\u00f5es vivenciadas (melhor verbo n\u00e3o existe) por todos os que nessa faixa et\u00e1ria se lan\u00e7am a revolver (uma arma?) o passado e, ainda, sem detrimento do apuro liter\u00e1rio. H\u00e1 que ter talento, muito talento. Da boa, por\u00e9m dilacerante, brincadeira de esgaravatar fuligens pret\u00e9ritas, urdida h\u00e1 cerca de um ano neste t\u00f3pico (ser\u00e1 que algu\u00e9m l\u00ea?), participam o Afonso Arinos de Melo Franco, o Paulo Duarte e o Pedro Nava (sou presun\u00e7oso). Caf\u00e9 com leite, mais leite do que caf\u00e9, dois mineiros e um paulista. Pin\u00e7am-se trechos aleat\u00f3rios das recorda\u00e7\u00f5es do fant\u00e1stico trio e est\u00e1 tudo resolvido: o eventual leitor surta, delira, se extasia e sofre tamb\u00e9m. Nos \u00faltimos tempos, a via atrativa \u00e9 da biblioteca do g\u00eanio de Juiz de Fora que se abalou para o Rio de Janeiro com o fim programado de exercer, em muitos anos do S\u00e9culo XX, a medicina (n\u00e3o mercantilizada) nas ambul\u00e2ncias e nos hospitais da Cidade Maravilhosa, para sorte de seus pacientes. Voltemos, escondamo-nos dentro do ba\u00fa de ossos para continuar o mergulho no passado do Nava, no passado de todas as gentes, dos grandes escritores os quais ele homenageia e pede v\u00eania para ingresso no fil\u00e3o das recorda\u00e7\u00f5es sem saber (ou sabendo) que nos deixaria transidos e fissurados pela expectativa do nascimento dos volumes que se sucediam no prelo. A casa n\u00e3o \u00e9 a do Bicanca, a respeito do qual falamos l\u00e1 atr\u00e1s, em duas postagens. \u00c9 uma outra resid\u00eancia, mas desta feita pouco importam seus propriet\u00e1rios, seus moradores. O interesse \u00e9 pelas trapa\u00e7as da mente do ser humano, agravadas quando se \u00e9 &#8220;historiador&#8221;. &#8220;(&#8230;) Ent\u00e3o \u00e9 isto&#8230; Nela eu entro, na velha casa, como nela entrava nos jamais. Esse port\u00e3o de ferro prateado, eu o abro com as mesmas chaves da mem\u00f3ria que serviram ao nosso Machado, a G\u00e9rard de Nerval, a Chateaubriand, a Baudelaire, a Proust. Todo mundo tem sua madeleine, num cheiro, num gosto, numa cor, numa releitura &#8211; na minha vidra\u00e7a iluminada de repente! &#8211; e cada um foi um pouco furtado pelo petit Marcel\u00a0porque ele \u00e9 quem deu forma po\u00e9tica e decisiva e lancinante a esse sistema de recupera\u00e7\u00e3o do tempo. Essa retomada, a percep\u00e7\u00e3o desse processo de utiliza\u00e7\u00e3o da lembran\u00e7a (at\u00e9 ent\u00e3o inerte como a Bela Adormecida no Bosque do inconsciente) tem algo da viol\u00eancia e da subitaneidade de uma explos\u00e3o, mas \u00e9 justamente o seu contr\u00e1rio, porque concentra por precipita\u00e7\u00e3o e suscita crioscopicamente o passado dilu\u00eddo &#8211; doravante irresgat\u00e1vel e incorrupt\u00edvel. Cheiro de moringa nova, gosto de sua \u00e1gua, apito de f\u00e1brica cortando as madrugadas irremedi\u00e1veis&#8230;&#8221; Na sequ\u00eancia, para g\u00e1udio dos admiradores j\u00e1 ent\u00e3o hipnotizados, o memorialista do avental branco destrinchar\u00e1 mais intensamente o padecimento de quem se prop\u00f5e a lembrar&#8230; lembrar&#8230; e lembrar. &nbsp; 28 de setembro de 2014 (096) mmsmarcos1953@hotmail.com<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-911","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-sem-categoria"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/mapati.com.br\/blogmapati\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/911","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/mapati.com.br\/blogmapati\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/mapati.com.br\/blogmapati\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/mapati.com.br\/blogmapati\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/mapati.com.br\/blogmapati\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=911"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/mapati.com.br\/blogmapati\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/911\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/mapati.com.br\/blogmapati\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=911"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/mapati.com.br\/blogmapati\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=911"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/mapati.com.br\/blogmapati\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=911"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}