{"id":950,"date":"2015-12-25T04:44:58","date_gmt":"2015-12-25T04:44:58","guid":{"rendered":"http:\/\/mapati.com.br\/blog\/?p=950"},"modified":"2015-12-25T04:44:58","modified_gmt":"2015-12-25T04:44:58","slug":"quem-cuidara-de-nossos-pais-v","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/mapati.com.br\/blogmapati\/quem-cuidara-de-nossos-pais-v\/","title":{"rendered":"Quem cuidar\u00e1 de nossos pais? (V)"},"content":{"rendered":"<p style=\"padding-left: 60px;\"><span style=\"font-family: 'trebuchet ms', geneva, sans-serif;\">\u201c<em>&#8211; Como a senhora est\u00e1 se sentindo hoje, m\u00e3e?<\/em><\/span><\/p>\n<p style=\"padding-left: 60px;\"><span style=\"font-family: 'trebuchet ms', geneva, sans-serif;\"><em>&#8211; Mais ou menos. Voc\u00ea deveria vir mais aqui.<\/em><\/span><\/p>\n<p style=\"padding-left: 60px;\"><span style=\"font-family: 'trebuchet ms', geneva, sans-serif;\"><em>&#8211; M\u00e3e, eu vim ontem&#8230;<\/em><\/span><\/p>\n<p style=\"padding-left: 60px;\"><span style=\"font-family: 'trebuchet ms', geneva, sans-serif;\"><em>&#8211; Por que voc\u00ea est\u00e1 me chamando de m\u00e3e? Voc\u00ea n\u00e3o \u00e9 meu filho.<\/em><\/span><\/p>\n<p style=\"padding-left: 60px;\"><span style=\"font-family: 'trebuchet ms', geneva, sans-serif;\"><em>&#8211; Sou, sim.<\/em><\/span><\/p>\n<p style=\"padding-left: 60px;\"><span style=\"font-family: 'trebuchet ms', geneva, sans-serif;\"><em>&#8211; Eu gosto de voc\u00ea, mas voc\u00ea n\u00e3o \u00e9 meu filho.<\/em><\/span><\/p>\n<p style=\"padding-left: 60px;\"><span style=\"font-family: 'trebuchet ms', geneva, sans-serif;\"><em>&#8211; Bom, eu te amo mesmo assim.<\/em><\/span><\/p>\n<p style=\"padding-left: 60px; text-align: right;\"><span style=\"font-family: 'trebuchet ms', geneva, sans-serif;\"><em>Di\u00e1logo relatado pelo filho de uma portadora de Alzheimer,<br \/>\nque vive em Belo Horizonte, durante o encontro de um grupo de apoio.\u201d<\/em><\/span><\/p>\n<p>N\u00e3o foi t\u00e3o f\u00e1cil alcan\u00e7ar a quinta postagem. Estou fatigado, da\u00ed a conveni\u00eancia de encerrar, ou interromper, estes t\u00f3picos, n\u00e3o sem antes extrair mais algumas passagens do livro da Marleth, constantes do cap\u00edtulo 11, aberto com o di\u00e1logo acima reproduzido.<\/p>\n<p>A primeira parte \u00e9 de autoria da escritora, que j\u00e1 nos arrebata desde o in\u00edcio; a outra \u00e9 a transcri\u00e7\u00e3o do teor do depoimento de Neusi Rovel, personagem sujeita \u00e0s vicissitudes do papel de cuidadora da m\u00e3e &#8211; que, se ainda viva, ter\u00e1 hoje 93 anos de idade.<\/p>\n<p style=\"padding-left: 90px;\"><span style=\"font-family: 'trebuchet ms', geneva, sans-serif;\"><em>\u201cCuidar de um idoso demente vai al\u00e9m de assumir as tarefas que garantem a sobreviv\u00eancia dele &#8211; \u00e9 preciso fazer o luto pela pessoa que desapareceu e, ao mesmo tempo, aprender a conviver com uma pessoa diferente. A dem\u00eancia n\u00e3o rouba apenas a habilidade do idoso de lembrar nomes ou compromissos, rouba dele a personalidade e as mem\u00f3rias mais significativas. O vazio que fica \u00e9 ocupado por uma confus\u00e3o de rea\u00e7\u00f5es e alguns sentimentos que o pr\u00f3prio doente n\u00e3o consegue entender nem controlar. Resta \u00e0 fam\u00edlia cuidar de um quase estranho, de algu\u00e9m cujo rosto e voz s\u00e3o familiares e comoventes, mas que age de forma que pouco lembra aquela pessoa querida que n\u00f3s conhecemos desde sempre.<\/em><\/span><\/p>\n<p style=\"padding-left: 90px;\"><span style=\"font-family: 'trebuchet ms', geneva, sans-serif;\"><em>\u201c(&#8230;) O portador de dem\u00eancia n\u00e3o se d\u00e1 conta das preocupa\u00e7\u00f5es que est\u00e1 causando \u00e0 sua fam\u00edlia. Ele n\u00e3o tem condi\u00e7\u00f5es de poupar ningu\u00e9m, de se esfor\u00e7ar para tornar a vida do c\u00f4njuge ou dos filhos mais f\u00e1cil. Tampouco far\u00e1 algo \u2018por mal\u2019. Inconformados com a situa\u00e7\u00e3o, alguns familiares reclamam da falta de coopera\u00e7\u00e3o por parte do idoso, ou tentam se convencer de que as coisas desagrad\u00e1veis que ele faz hoje s\u00e3o frutos da mesma personalidade que carregou a vida toda, agora piorada pela doen\u00e7a.<\/em><\/span><\/p>\n<p style=\"padding-left: 90px;\"><span style=\"font-family: 'trebuchet ms', geneva, sans-serif;\"><em>\u201c(&#8230;) Ser racional com algu\u00e9m que perdeu a capacidade de raciocinar \u00e9 frustrante, exaustivo e in\u00fatil. Al\u00e9m do mais, voc\u00ea irrita o doente, que vai v\u00ea-lo como inimigo que tenta esconder o que ele sabe que \u00e9 certo. E nesse \u2018inimigo\u2019 o doente vai despejar toda sua agressividade.<\/em><\/span><\/p>\n<p style=\"padding-left: 90px;\"><span style=\"font-family: 'trebuchet ms', geneva, sans-serif;\"><em>\u201c(&#8230;) Como se trata de uma doen\u00e7a para a qual n\u00e3o h\u00e1 cura e o m\u00e1ximo que se consegue com medicamentos \u00e9 reduzir o ritmo da evolu\u00e7\u00e3o, o cuidador \u00e9 torturado pela sensa\u00e7\u00e3o de impot\u00eancia e de incapacidade. A fam\u00edlia quer dar qualidade de vida ao doente, mas n\u00e3o sabe o que \u00e9 qualidade de vida para ele.<\/em><\/span><\/p>\n<p style=\"padding-left: 90px;\"><span style=\"font-family: 'trebuchet ms', geneva, sans-serif;\"><em>\u201c(&#8230;) \u00c9 hora de deitar um olhar carinhoso sobre o doente, de lembrar quem ele foi, de rememorar suas qualidades e habilidades para n\u00e3o nos distanciarmos das boas lembran\u00e7as. De valorizar o esfor\u00e7o que o doente faz o tempo todo para entender o que se passa a sua volta, para se comunicar. De nos alegrarmos com o bem-estar que damos a ele quando lhe oferecemos carinho e aten\u00e7\u00e3o.\u201d<\/em><\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<figure id=\"attachment_951\" aria-describedby=\"caption-attachment-951\" style=\"width: 492px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"http:\/\/2017.mapati.com.br\/wp-content\/uploads\/2015\/12\/quemvaicuidarnossospais6.jpg\" rel=\"attachment wp-att-951\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-951\" src=\"http:\/\/2017.mapati.com.br\/wp-content\/uploads\/2015\/12\/quemvaicuidarnossospais6.jpg\" alt=\"http:\/\/luanb.tumblr.com\/post\/3470303212\/e-junto-de-voc%C3%AA-quero-formar-aquele-casal-de\" width=\"492\" height=\"328\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-951\" class=\"wp-caption-text\"><span style=\"font-size: 8pt;\">http:\/\/luanb.tumblr.com\/post\/3470303212\/e-junto-de-voc%C3%AA-quero-formar-aquele-casal-de<\/span><\/figcaption><\/figure>\n<p>Pelo visto, e sentido, terei que deixar o relato da Neusi, professora aposentada, residente na capital paranaense, para a sexta e prov\u00e1vel \u00faltima postagem.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: right;\">30 de novembro de 2014<\/p>\n<p style=\"text-align: right;\">(106)<\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><span style=\"color: #0000ff;\"><a style=\"color: #0000ff;\" href=\"mailto:mmsmarcos1953@hotmail.com\">mmsmarcos1953@hotmail.com<\/a><\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u201c&#8211; Como a senhora est\u00e1 se sentindo hoje, m\u00e3e? &#8211; Mais ou menos. Voc\u00ea deveria vir mais aqui. &#8211; M\u00e3e, eu vim ontem&#8230; &#8211; Por que voc\u00ea est\u00e1 me chamando de m\u00e3e? Voc\u00ea n\u00e3o \u00e9 meu filho. &#8211; Sou, sim. &#8211; Eu gosto de voc\u00ea, mas voc\u00ea n\u00e3o \u00e9 meu filho. &#8211; Bom, eu te amo mesmo assim. Di\u00e1logo relatado pelo filho de uma portadora de Alzheimer, que vive em Belo Horizonte, durante o encontro de um grupo de apoio.\u201d N\u00e3o foi t\u00e3o f\u00e1cil alcan\u00e7ar a quinta postagem. Estou fatigado, da\u00ed a conveni\u00eancia de encerrar, ou interromper, estes t\u00f3picos, n\u00e3o sem antes extrair mais algumas passagens do livro da Marleth, constantes do cap\u00edtulo 11, aberto com o di\u00e1logo acima reproduzido. A primeira parte \u00e9 de autoria da escritora, que j\u00e1 nos arrebata desde o in\u00edcio; a outra \u00e9 a transcri\u00e7\u00e3o do teor do depoimento de Neusi Rovel, personagem sujeita \u00e0s vicissitudes do papel de cuidadora da m\u00e3e &#8211; que, se ainda viva, ter\u00e1 hoje 93 anos de idade. \u201cCuidar de um idoso demente vai al\u00e9m de assumir as tarefas que garantem a sobreviv\u00eancia dele &#8211; \u00e9 preciso fazer o luto pela pessoa que desapareceu e, ao mesmo tempo, aprender a conviver com uma pessoa diferente. A dem\u00eancia n\u00e3o rouba apenas a habilidade do idoso de lembrar nomes ou compromissos, rouba dele a personalidade e as mem\u00f3rias mais significativas. O vazio que fica \u00e9 ocupado por uma confus\u00e3o de rea\u00e7\u00f5es e alguns sentimentos que o pr\u00f3prio doente n\u00e3o consegue entender nem controlar. Resta \u00e0 fam\u00edlia cuidar de um quase estranho, de algu\u00e9m cujo rosto e voz s\u00e3o familiares e comoventes, mas que age de forma que pouco lembra aquela pessoa querida que n\u00f3s conhecemos desde sempre. \u201c(&#8230;) O portador de dem\u00eancia n\u00e3o se d\u00e1 conta das preocupa\u00e7\u00f5es que est\u00e1 causando \u00e0 sua fam\u00edlia. Ele n\u00e3o tem condi\u00e7\u00f5es de poupar ningu\u00e9m, de se esfor\u00e7ar para tornar a vida do c\u00f4njuge ou dos filhos mais f\u00e1cil. Tampouco far\u00e1 algo \u2018por mal\u2019. Inconformados com a situa\u00e7\u00e3o, alguns familiares reclamam da falta de coopera\u00e7\u00e3o por parte do idoso, ou tentam se convencer de que as coisas desagrad\u00e1veis que ele faz hoje s\u00e3o frutos da mesma personalidade que carregou a vida toda, agora piorada pela doen\u00e7a. \u201c(&#8230;) Ser racional com algu\u00e9m que perdeu a capacidade de raciocinar \u00e9 frustrante, exaustivo e in\u00fatil. Al\u00e9m do mais, voc\u00ea irrita o doente, que vai v\u00ea-lo como inimigo que tenta esconder o que ele sabe que \u00e9 certo. E nesse \u2018inimigo\u2019 o doente vai despejar toda sua agressividade. \u201c(&#8230;) Como se trata de uma doen\u00e7a para a qual n\u00e3o h\u00e1 cura e o m\u00e1ximo que se consegue com medicamentos \u00e9 reduzir o ritmo da evolu\u00e7\u00e3o, o cuidador \u00e9 torturado pela sensa\u00e7\u00e3o de impot\u00eancia e de incapacidade. A fam\u00edlia quer dar qualidade de vida ao doente, mas n\u00e3o sabe o que \u00e9 qualidade de vida para ele. \u201c(&#8230;) \u00c9 hora de deitar um olhar carinhoso sobre o doente, de lembrar quem ele foi, de rememorar suas qualidades e habilidades para n\u00e3o nos distanciarmos das boas lembran\u00e7as. De valorizar o esfor\u00e7o que o doente faz o tempo todo para entender o que se passa a sua volta, para se comunicar. 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