Primeira estrela
Dotado de metidez insuportável e assumida conforme termo lavrado em cartório, novamente proclamo aos quatro ventos, estocados ou não:
Mariana, uma das minhas duas filhas, nasceu no Dia da Criança, exatamente em 1979, ano declarado pela ONU Ano Internacional das Crianças. Apesar de ser a segunda da fila (Patricia, a primogênita, veio à luz em 1975), ela, Mariana, representa a primeira sílaba de “Mapati”. A última sílaba, como uns e umas sabem, é a do caçula, Tiago, o Meu Velha, o menininho que será menininho para sempre e que é a razão principal da fundação do meu teatro.
12 de outubro de 2015 já aparece marcado na folhinha deflagrando meu prazo para, além dos parabéns a minha filha aniversariante, dizer algo sobre esse dia tão relevante, tão especial.
Dulcina de Moraes, quando perguntada o que achara de um espetáculo no juízo dela ruim, amador, sofrível, exclamava sem hesitações: “Não tenho palavras.” As artes cênicas se faziam presentes ali, na sua plenitude e esplendor. Atores, atrizes, diretores, diretoras, cenógrafos, cenógrafas, produtores, produtoras, bilheteiros, bilheteiras (dá um trabalhão a linguagem feminista), ávidos pelo parecer da diva, nunca saíam desapontados. Tampouco estouravam de satisfação – pois a célebre atriz, mãe de todo mundo que brilhou e brilha nos palcos nesses últimos cinquenta anos, deixava-os em dúvida sobre se aquele “não tenho palavras” externado com caras, muitas, e bocas, muitas, era elogio ao “belo” trabalho. Sabem de nada, inocentes.
Exaltação merecida e justa à data não me ocorre. O Mapati preponderantemente dedicado às crianças e eu sem capacidade de passar um recado pelo menos simpático a essa turminha.
Para meu regozijo (como diria o Helio Fernandes, que palavra) e o de vocês também, entram em cena Luli e Lucina (a Sônia Prazeres, compositora, forma o trio), profissionais que entendem do riscado (mais uma expressão novíssima). Duas mulheres corajosas, mães de filhos e filhas com pai em comum. Tempos atrás, morando em sítio, compondo no Rio de Janeiro, acontecendo em São Paulo, a dupla vanguardista fez história na música popular brasileira.
Em realidade, ainda faz, cada uma em seu canto.

PRIMEIRA ESTRELA
na porta do mundo
tem uma roseira
que flora e chora
não tem ventania
que apague a candeia
do sentimento
no pé do vento
tem uma cantiga
que quando sopra
roda a menina
derrama a alegria
realça o dia
toda criança que nasce
parece a primeira estrela
amor promessa
brilhando no céu do tempo
(Luli e Lucina)
https://youtu.be/8ry5Wi5TcUU
12 de outubro de 2015
(153)
mmsmarcos1953@hotmail.com
Memórias/Memorialistas (XXVIII)
Memórias/Memorialistas (XXIX)
Você pode gostar

Young-se
07/09/2019
Memórias/Memorialistas (LXX)
31/08/2021