Poemas de uma carioca desgarrada (XIII)
Ano de 2012? Creio que sim.
No bojo de um projeto de integração cultural, a Cia. Teatral Mapati deu uma chegada em África, num dos pedaços onde se fala a língua portuguesa e se assiste a muita telenovela brasileira.
Lá, muitos de meus colegas (é ruim que direi “ex-colegas”; assim não os considero) de trabalho ajudaram a estruturar e consolidar o banco central angolano, redesenhando traços capitalistas (sistema bom, sistema ruim) no período pós guerra civil, na qual grupos em disputa pelo comando político se dilaceraram durante longo tempo, o mais das vezes a poder de minas terrestres que arrancaram pernas e braços e destruíram muitas almas de um povo alegre e ainda sofrido.
A hora, no entretanto, é de poesia.
Portanto, minha conclamação para que todos e todas se prestem a ler o poema abaixo. Enquanto isso, aguardaremos uma das participantes de nossa equipe técnica que atravessara o Atlântico cumprir o seu dever solene: apresentar-nos um relato, para divulgação neste blog, das atividades artísticas desenvolvidas em Luanda e adjacências, acompanhado de impressões pessoais acerca do que fora interessante e pitoresco na jornada intercontinental.
À SOTIGUI KOAYTÈ
Vi um Deus-Negro,
falava francês!
Tocou-me – ele nem imagina… o quanto! –
delicada e irreversivelmente
minh’alma.
Duma delicadeza contundente,
Duma precisão serena,
primal, consequente.
Da voz dos anjos,
De negritude solene.
Um Deus,
Um Rei,
Um Anjo?
Não sei.
Apenas que a mirá-lo fiquei…
plena, silenciada de vez,
continente, fielmente.
(nORMA mARtINS – bHz, 29/jUN/2007)

02 de maio de 2015
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Cristalina (XII)
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