Poemas de uma carioca desgarrada (XVI)
A poesia se defende, resiste, ataca. Sem pleonasmos, enganadamente logra inserção em nosso blog pela segunda vez neste promissor(?) 2016.
Os periódicos e as redes sociais divulgaram nas primeiras horas do dia que a poeta carioca tomara a deliberação de sair do casulo. Ansiávamos por isso há bastante tempo – eu diria, milênios.
Ela atendera enfim aos apelos disseminados no canto das sereias (eram muitas) abandonando a casa e deixando órfãos e órfãs espremidos em todos os aposentos.
Não sem antes mirar os itens acumulados nos armários, nas gavetas, na despensa, no cofre e lançá-los pelas janelas do centésimo pavimento.
Andrajosa mas liberta, passou a extasiar-se debaixo das marquises.
M’ EMBORA PRA RUA
Vou m’embora pra lugar nenhum
Pra Pasárgada também não irei
Pois de lá nem amiga sou do rei
Quis sair e nem voltei
Fui chorar mas não chorei
Tentei rezar e não rezei
Acendi um cigarro e fumei
Saí da cadeira, levantei
Vi da janela a lua
Quis fazer dela sua
Dançar pra ela nua
Me desnudar
Ser crua
Correr, cansar
E descansar
Na rua.
– Norma Martins
– bHz/ 1995 –

16 de fevereiro de 2016
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