Poemas de uma carioca desgarrada (V)
Quando ninguém lê a gente, quando ninguém ouve a gente, como se deve agir? É fácil, muito fácil responder a essa indagação: é só chamar o Chico Buarque. Escolhe-se aleatoriamente algum trecho dos livros ou das centenas de letras de músicas (“… Quero ser a cicatriz Risonha e corrosiva…“) da lavra do compositor paulista do Rio de Janeiro que também tinha avô pernambucano – à semelhança do Eduardo Campos, o homem cujo trágico passamento balançou todo o Brasil (o piloto do jatinho era meu xará. Descansem todos em paz).
Nos dias atuais (há um bom tempo, né?), a tatuagem como que se banalizou, e eu tive a certeza disso em maio ou junho deste 2014, numa efeméride tattoo, durante a qual nosso Mapati fora invadido por dezenas e dezenas de jovens, tribos multicoloridas à busca de mais agulhadas. Comentam que dói paca, mesmo se optamos pelas pequenininhas, por isso que eu, ainda um menino, não me submeti ao procedimento nem pretendo fazê-lo.

Não sei de que maneira nossa carioca desgarrada gostaria de ilustrar a vertente postagem. Pouco importa. Ela manda soberanamente no que escreve – mas eu mando soberanamente neste tópico do blog. Alinhando-me àqueles que declaram não haver no mundo nada mais bonito do que corpo de mulher, este medíocre contador de histórias lhes proporciona enriquecimento estético pela lírica (isso é para acalmar os moralistas) ilustração acima, que portanto se conjuga com o poema abaixo.
CICATRIZ
Deus meu,
Quisera não…
Vontade imensa
de arrancar isto.
Parece um quisto,
uma chaga,
um tumor,
Uns chamam de amor.
(Norma Martins – bHz – 1993/4)
19 de agosto de 2014
(083)