Memórias/Memorialistas (XXX)
Abandonemos as viagens de turismo e passemos a outra modalidade de jornada para apreciar o voo filosófico de Afonso Arinos. Na análise, ou que nome o tenha, feita antes da iminente chegada do homem à lua, o memorialista deblatera contra a era espacial, responsável por liquidar literalmente a grandeza do nosso planete. A água salobra de Marte não o inquietaria nem o desesperaria mais ainda pela firme crença que ele deposita na humanidade.
“Afinal, todas as maravilhas que o esfôrço humano alcançou na obra de perscrutar o espaço, lançando projéteis para além dos astros e de lá recebendo mensagens, são bem menos impressionantes que êste milagre que é o próprio homem, cuja vista vai mais longe que os corpos que atira no infinito, e cujo entendimento abrange o que se encontra lá para lá do que vê. De todos os animais, mesmo os mais possantes e altaneiros, nenhum olha para o céu. Nunca vi um cão, um tigre, um cavalo, olhar senão para a terra, o mundo a que está prêso. Até as aves de asas despregadas olham para baixo quando voam para a terra inevitável. Só o homem olha para o céu.”
Poder-se ia dar por findos os trâmites, encerrar tudo diante dessa transcrição arrematada com frase espetacular? Óbvio que sim. Vamos entretanto nos servir um pouquinho mais dessa semente meteórica, e paradoxalmente eterna, plantada pelo deputado das Minas Gerais (como é fácil referir a todo momento, sem redundâncias, um indivíduo que foi quase tudo na vida pública). Lá em cima, uma homenagem ao ser humano; aqui embaixo, um alerta, uma quase advertência
“Esta idéia de grandeza do homem é que deve dar-lhe humildade para perceber quanto são pequenas suas realizações, diante do que êle próprio representa, e que não depende de si.”

21 de outubro de 2015
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