Poemas de uma carioca desgarrada (XIX)
O poema abaixo não me situa, não me dá abrigo.
Nada compreendo da linguagem militar. Antes, tenho meus traumas da era em que a caserna não se restringia à caserna – seus domínios, seus lindes se estendiam por todo o país, ame ou deixe-o, fora liberdade.
No recesso da linguagem poética, sou nessa mirada um ignorante absoluto.
De outro lado, na prosa, sou um pouco prosa. Agora mesmo, me transportei para a Montanha Mágica, obra das mais importantes do século passado e na qual Thomas Mann, o fantástico autor alemão agarrado ao Brasil, consigna não raro anfractuosidades.
BARBACÃ
Artifício
Como no fictício
Assim, sem feitiço
Como se sumido
No que já não era preciso
Esse eu, procuro
No claro e
Até no escuro
Do dia
Na noite
Sem guia
Sem lua
Na rua
Sem pira
Tão pura
Tão fria.
Crua.
Sem gira
Sem curva
Na reta
Careta
Louca
Criança
Sem ânsia
Sem luta
Que nem santa
Que nem puta
Com força tamanha
Sem vontade nenhuma
Toda vestida
Completamente nua
De todo mundo
Somente sua.
___Norma Martins
__bHz __

04/08/2016
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