Arte sobre rodas (III)

Não sei se era Goiatuba ou Catalão.

A dúvida se explica porque já atuamos em quase todos os municípios do (a gente debocha um pouco desse “do”) Goiás, jornadas das quais muito me orgulho. Pelo menos no caso do Mapati, demonstra-se que não existe rivalidade entre quem vive aqui e quem vive lá, naquele estado que, mesmo seccionado para criação de Tocantins, ainda é grande (e progressista) paca.

Montávamos o caminhão-palco – o que não raro atrai gente da comunidade também por causa da música  -, quando se achegou uma distinta senhora (remember Acre, postagem feita lá pra trás; a história só se repete como farsa). Como sói, preparei-me para responder a perguntas de praxe: “O que vai ter aí?”, “É circo?”, “Ah, é peça de teatro. Qual?”, “Teatro. Puxa, que bom, vou trazer meus filhos”. Já disse isso algumas vezes, a gente fica metido, se achando, e no meu caso é mais pretensão ainda na medida em que nem artista sou. Agora, é sério. Dá muita alegria em nós ouvir que é bacana (essa é do tempo dos meus avós) o que fazemos, levar arte e cultura, sobretudo aos lugares onde não há nada, nada mesmo, teatro, show, cinema, circo…

FIG5post13

Estropiado, carregando um dos ferros de sustentação da rampa, o travestido de chapa foi vergastado da seguinte maneira pela senhora que descia das tamancas : “O senhor está vendo aquela loja, ali, em frente? É a minha confecção (pensei, a empresária vai nos contratar para uma apresentação fechada, mais um cachezinho). Eu queria que você (fui rebaixado) mandasse desligar logo esse som pois minhas costureiras estão se desconcentrando e a produção tá caindo que é um horror.”

Pano rápido.

 

14 de outubro de 2013

(013)

mmsmarcos1953@hotmail.com

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *