Poemas de uma carioca desgarrada (III)
Nunca conseguiremos prestar todas as homenagens que o Chico Anysio merece. Um homem que se casou/descasou tantas vezes e embarcou amigo de todas as ex-mulheres não deve ser considerado pouca coisa.
Não bastasse, vascaíno até aos (“Última flor do Lácio, inculta e bela”) dentes. Corria o segundo semestre de 1982, época na qual morávamos no Rio de Janeiro. Recordo-me de quando o comediante, o apresentador, o artista plástico, o escritor (querem mais?) ia ao colégio buscar um dos filhos, o nascido da união com a Alcione Mazzeo, se a memória não me falha, e dos mais novos da prole mas hoje também quarentão.
Era no St. Patrick – não a unidade da Barra, a do Leblon (defenestrada do bairro em 2012), onde também estudava minha filha Patricia. Eu sempre o via na fila de pais e responsáveis que todo dia se formava ao lado do muro da escola. O já grande e famosíssimo artista permanecia ali, tímido, sem nenhuma fumaça de estrelismo, respeitando a ordem de chegada para liberação do filho, atitude bem diferente da encontrada por aí nos eventos públicos e privados, sobretudo os ditos culturais.
Vampirizo minha irmã Norma.

O VAMPIRO DESDENTADO
O vampiro desdentado
que de nada tinha
de assombrado
Dentadura pensou colocar
Ou dente implantado usar
P’ra módi de poder morder
E aos medrosos assombrar
Mas nem dentadura
Podia usar, porque de
Dentista apenas uma vontade
tinha, o vampiro desdentado,
Deste só fazia correr
E até morrer nem podia
Porque vampiro não morre
Sua sina é o sangue
De gente beber
O vampiro vivia a sofrer
E triste assim, resolveu
De destino mudar
Outra profissão aprender
E de vampiro desdentado
Dentista de vampiros passou
A nova função exercer.
(Norma Martins)
19 de julho de 2014
(077)
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