A História é amarela 2 (Pelé)

Para onde vão os dias que passam? Será que desaparecem como a mulher do mágico, no circo? Contudo, a mulher do mágico não desaparece, apenas muda de lugar. (…). Talvez o tempo, em vez de se parecer com uma seta, avançando de um território conhecido para a escuridão do futuro, seja, afinal, circular e repetido.
– José Eduardo Agualusa –

Wikimedia Commons
  • Ser famoso não cansa. Mas cria muitos problemas. Por exemplo, dificilmente posso escolher lugar em avião, porque sempre aparecem pessoas pedindo autógrafos antes mesmo de eu entrar. Resultado: na maioria das vezes, sou o último a me sentar;

  • Se eu tiver um filho, vou procurar encaminhá-lo e ajudá-lo ao máximo na carreira que ele mesmo escolher (desilusão com seu filho Edinho, goleiro do Santos, preso por tráfico de drogas e lavagem de dinheiro);

  • Nunca houve nada disso comigo (racismo). Em parte alguma. Certa vez, num hotel de Dacar, no Senegal, várias pessoas juntaram-se na porta para me ver. A dona do hotel disse que elas pareciam selvagens e um policial negro a prendeu. Mais tarde, pediram-me que intercedesse pela libertação da mulher. Eu disse que não faria isso, pois ela ofendera gente da minha cor, que apenas queria me ver;

  • … acredito, realmente, que nenhuma pessoa deveria abandonar o seu lar. Talvez eu pense assim porque a coisa que mais adoro é a minha família (três casamentos e sete filhos/as, fora os namoricos com famosas);}

  • Qualquer jogador precisa saber qual o adversário que está enfrentando. Se o marcador é maldoso, devemos usar maldade contra ele. Se o marcador é duro, mas leal, também devemos usar a lealdade. Se ele é apenas violento, quando surgem as bolas divididas eu entro preparado para ganhar o lance. O revide, porém, acontece numa hora de descontrole. Além disso, dá expulsão de campo;

  • Eu rezo normalmente todos os dias. Mas rezo também antes de entrar em campo. Sou católico, e a minha fé serve para me estimular nos momentos mais difíceis;

  • Estou certo de que o jogador brasileiro já vê o futebol como profissão. Ele sente tudo o que pode ganhar com o esporte. Hoje (lembremos, novembro de 1969) o jogador já se dedica muito mais ao seu trabalho de futebolista. Além disso, sabe como agir fora do esporte. Eu, por exemplo, lucro muito mais com a publicidade do que com a bola;

  • Eu já fui pobre e bastante feliz, graças a Deus. A felicidade não depende da riqueza. O dinheiro é apenas uma parte da vida;

  • Sempre evitei que comentassem isso (caridade). Aqueles que precisam de ajuda ficariam chocados se eu me aproveitasse deles para fazer publicidade;

  • O gol, para mim, é um momento de explosão. Eu sinto isso desde garoto;

  • Eu sempre quis ser aviador. Mas já estou cansado de tantas viagens. Prefiro ser ator. Eu me sinto muito bem trabalhando na TV;

  • Eu quero ser pai de um menino. 

#José Eduardo Agualusa
#Pelé
#Revista Veja
#Páginas Amarelas
#Jornalista Oswaldo Amorim 

29/10/2024
(372)
mmsmarcos1953@hotmail.com

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