Poemas de uma carioca desgarrada (IX)
Não implico com a poesia, tenho juízo. Faltam-me forças para enfrentar os poetas do mundo e seu pequeno, aguerrido exército de leitores e leitoras – e de ouvintes também.
Apreciei muito o que, em recente entrevista à imprensa, declarou a batsuana TJ Dema: “… sou uma poeta, uma leitora, uma amante das palavras que defende o poema falado como um fim em si mesmo, da mesma forma que o poema escrito, publicado e documentado em livros. Luto para fazer com que esses dois mundos sejam entendidos como se fossem um só, porque eles efetivamente são.”
Em nosso blog, o poema ainda não é falado. Deverá sê-lo brevemente, até porque o Teatro Mapati tem atrizes e atores que conhecem do mister. Por ora, tais conteúdos transparecem por escrito, como este logo a seguir, que, juntamente com os dois de autoria do piauiense sumido (por onde ele anda… ou divaga?), é o décimo primeiro divulgado em nosso espaço.
Um apelo: na reprodução, abaixo, do belo quadro pintado em 1959 por Newton Rezende, onde se vê um poético cesto de palha veja-se um poético tacho de cobre.
Viva Manoel de Barros, nosso vizinho de região!
Lembra-me fêmea,
Companheira de macho.
Do fogo,
De facho!
Na cabeça,
de cobre,
Um tacho cigano!
Na alma 7 vidas,
Sete amores,
Coquete!
Dama de bordéis,
Preferida nas cortes.
Aos homens, proveu-os
de amores,
suores, de acordes,
de dores.
Entregava-se a reis por réis,
de vez, de viés.
Hembra!
De muitos machos.
De alguns poucos
fez-se única,
Alguns serviram-na, iguais,
de iguarias, joias,
cantos, mantos, tantos,
Dela, fizeram-se
capachos!
Ria-se, de tanto revés!
Dançava p’ros magos,
p’ros castos, p’ros falsos,
p’ros mansos,
p’ros músicos,
p’ros soldados e coronéis!
Rodopiava,
Cirandava,
Encantava…
Tonteava
até mesmo um anjo
que dela se aproximar, tentava!
Feriu, deste, a asa!
Ele, a ela, tudo
perdoava…
Pois que esta cicatrizava rápido,
tamanho amor,
que este, a ela,
dedicava.
(nORMA mARtINS – bHz,1/JUL/2007)
15 de novembro de 2014
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