
Prêmio Nobel de Cultura
O grupo solidário compartilha conhecimento, afeto e êxito. Planeja com vistas a curto, médio e longo prazo porque não vislumbra triunfos apenas para si, mas para as futuras gerações. Tem com o outro o cuidado e o apreço desejado para si mesmo. E essas atitudes geram o respeito tão necessário para a unidade de um grupo.
– Katia Rubio –
No início deste ano, vasculhando cacarecos no sótão da sede do Teatro Mapati, enxerguei lá no fundo, atrás de muralhas da China formadas por estantes, figurinos, máquinas de costuras, estojos de maquiagem, três caixotes de papelão. Dentro deles, razoavelmente acondicionadas, fitas VHS.
Entre surpreso e curioso, fui dando uma mirada naquele insuspeitado conjunto. Tratava-se de mais de cem fitas do tipo, etiquetadas, contendo filmagens as mais diversas, algumas das quais de minha família, mas a grande maioria relacionada com o Mapati. Há vídeos de 1987, 1988, portanto com mais de trinta e cinco anos, e íntegros, o que me deixara pasmo, esse material costuma desmanchar depois de um certo tempo de uso, daí o milagre de permitir rever hoje entrevistas, debates, coberturas jornalísticas, apresentações cênicas (peça de teatro é infilmável), realizadas não somente pelo Mapati, senão que por artistas de outros rincões.
No meio das imagens da parentada, surgia vez que outra meu ex-cunhado Augusto Padilha. Agora, ele cinquentão, num belo dia me fez um agradecimento pela formação musical que eu lhe teria repassado. Cuidei que era algum engano pois não toco nem caixinha de fósforo (viva o grande compositor Cyro Monteiro) e também não distingo melodia de harmonia. A gratidão no entanto se deve a que ele, adolescente, passava fins de semana inteiros na minha casa ouvindo dezenas e dezenas de bolachões e CDs ou assistindo a DVDs musicais de meu acervo.
Me vi orgulhoso disso. E também enormemente satisfeito quando, decerto em retribuição, Augusto me apresentou um personagem que eu não conhecia – minha saga de mais de cinco anos na Universidade de Brasília decorrera no então Departamento de Direito. O homem cujo nome logo se saberá é professor (aposentado) da UnB, da cadeira de História – o que me leva à convicção de que meu irmão Joel Martins e meu ex-cunhado Marcio Padilha, ambos em priscas eras alunos desse curso, sabem, e muito, da ilustrada figura.
Que tem uma história de vida fantástica. Que está retratada num filme-documentário de uma hora e quarenta e cinco minutos. Que passa a sensação de ser um curta metragem dado o terno entusiasmo (uma contradição entre termos) que desperta a sequência de cenas protagonizadas pelo mestre acadêmico. Que é uma obra do cineasta Piu Dip. Que para realizar o filme comandou entrevistas durante sete anos com o “ator”, entremeadas por depoimentos de amigos e muitas amigas (um sedutor) e de personalidades do meio educacional e cultural. Que por um monte de coisas se tornou o guru do Augusto. E meu também.

Convido-os(as) para interessante jornada, mergulhar na história do historiador oitentão VICTOR LEONARDI, nas horas vagas(?) poeta, escritor e roteirista. Um homem que conheceu mais de noventa países, morou em dezenas deles e já singrou muitas vezes a Amazônia em estudos científicos e, por isso tudo, meu candidato ao ainda não instituído Prêmio Nobel de Cultura.
O filme está disponível no Youtube,
https://www.youtube.com/watch?v=qjwiPu7SLSU
mas cogito neste 2024 exibi-lo no Cineclube Mapati, quem sabe com a presença do emérito professor para, eventualmente na companhia do diretor ou de mais alguém da produção, assistirmos a fita e depois formarmos uma roda de conversa a respeito de tudo que vimos na noite rara e especial.
#Victor Leonardi
#Katia Rubio
#Fitas VHS
#Piu Dip
11/01/2023
(366)
mmsmarcos1953@hotmail.com

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Um comentário
Raul Curro
Caríssimo amigo e prediletíssimo colega Dr. Marcos Martins,
Saudades inesquecíveis!!
Um grande e forte abraço virtual, por ora, extensivo a quem mais desejar, especialmente aos nossos amigos e colegas do CRSFN,